quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O carnaval sem fim dos Los Hermanos | Review da Vez

Imagem relacionadaLos Hermanos é uma banda brasileira de rock alternativo formada em 1997 no Rio de Janeiro. Seu álbum de estreia fora lançado em 1999 com músicas do gênero como o Hardcore Melódico de músicas como "Tenha Dó", "Quem Sabe" ou "Bárbara", misturado com músicas mais radiofônicas como a inesquecível e já até démodé "Anna Júlia". Isso fez com que o álbum alcançasse "disco de ouro" com mais de 100.000 cópias vendidas e levasse o Los Hermanos a serem uma das maiores bandas do Brasil naquele momento. Com a pressão da gravadora para lançarem novos hits, a banda se refugiou em um sítio no interior do Rio de Janeiro e começou a compor de maneira despretensiosa. Esse refúgio gerou um dos álbuns mais consistentes da carreira da banda: Bloco do Eu Sozinho. E é deste disco que iremos falar hoje!


Diferente da musicalidade do disco anterior, o "Bloco de Eu Sozinho" é mais focado numa sonoridade mais alternativa noventista de bandas como "Mulheres Q Dizem Sim" e "Carne de Segunda", realizando experimentações e riffs que flertam com o indie rock dos anos 2000, variando de músicas rápidas e imediatas como "A Flor" até músicas lentas e tensas como "Sentimental" ou até a calma e chill "Adeus Você".


As letras desse álbum focam como quase todas as músicas bandas em relacionamentos, tanto durante quanto no término. A banda ainda flerta em temas como saudade, ciúmes e até autossuficiência. Isso tudo com uma poesia impecável e bastante melódica quando musicada. 



Minha música predileta deste álbum é "Adeus você" (sim, quase ninguém cita essa música como favorita ou relevante), simplesmente pela vibe da música com aquele ar mais chill com uma letra que fala sobre despedida. Também fica aqui minha menção honrosa à música "Fingi na hora rir", um hardcore muito bem feito com um riff inicial marcante e visceral.




Por ser o primeiro álbum que ouvi da banda, posso dizer que detenho boas memórias do "Bloco do Eu Sozinho". Tenho lembranças de "Todo Carnaval tem seu fim", "A Flor" (esta, de tanto ser executada já até enjoou), "Casa Pré-Fabricada", "Deixa Estar", "Assim Será"... ENFIM! Um álbum cheio de músicas marcantes e que definiram uma época. Este disco representa a maturidade e a transição dos Los Hermanos, que passa a ser uma banda lembrada por sua sonoridade indie com flertes no Rock Alternativo, e não só uma banda de hardcore com um hit só.

Nota Final: ⭐⭐⭐⭐


domingo, 10 de fevereiro de 2019

The Cure e a simplicidade de "Boys Don't Cry" | ANALISANDO

Imagem relacionadaSe você não viveu dentro de uma caverna durante toda a sua vida você já deve ter ouvido pelo menos uma vez a música "Boys Don't Cry" da banda de post-punk inglesa "The Cure". A música foi lançada originalmente em single em 1979 no Reino Unido e mais tarde re-lançada em 1986 no primeiro álbum da banda na América: "Boys Don't Cry". A música atingiu a vigésima segunda posição nas paradas britânicas e acabou sendo o maior sucesso da banda aqui no Brasil. Mas, o que essa música tem de tão especial? Vamos analisar!


A música já começa com os 4 acordes bases de toda a canção, já que é uma música caracterizada do movimento do pós-punk, ou seja, simplicidade misturado com melodias repetitivas e contínuas, assim como outras bandas da mesma época como Joy Division (que renderia uma ótima "Review da Vez"), Public Image Ltd. (a banda do ex-Sex Pistol, Johnny Rotten) entre outras.

E assim se inicia a canção. Pra quem tiver curiosidade os acordes iniciais são: A  Bm C#m D


Depois da introdução da música vem o desenvolvimento, o esqueleto da canção. A melodia base nesta parte praticamente não muda da introdução, às vezes a ordem dos acordes muda mas, sempre fica dentro deste ciclo de A Bm C#m D. Também é no desenvolvimento que o Robert Smith (vocalista do Cure) começa a soltar a voz. A letra fala sobre o término de um relacionamento por parte do cara que disse demais e foi muito "indelicado" com sua parceira, e o título é justificado quando ele, abalado com o término, esconde as lágrimas dos seus olhos pois, "garotos não choram". Outra coisa que aparece no desenvolvimento é a guitarra solo da música, com um exercício bem simples que acompanha a base e dá mais sustância ao decorrer da música. Já pro final da música, entra mais dois acordes para dar uma variada, os acordes de E  F#m. Assim, a música termina exatamente com os mesmos acordes da introdução.


 Por que essa música foi tão marcante e cativou tantas pessoas? A resposta pode variar! Algumas pessoas podem até se identificar com a letra da música (um tema muito comum até) ou até mesmo achar a melodia e base viciante e bastante melódica. Enfim! Podemos concluir que "Boys Don't Cry" é o hino do pós-punk quanto do movimento gótico surgido no início da década de 80.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

O pop maduro da Educação Sentimental do Kid Abelha I Review da Vez

Resultado de imagem para educação sentimental kid abelhaApós o lançamento do disco "Seu Espião" de 1984, a banda de pop rock dançante Kid Abelha resolveu ousar, criar algo diferente para o seu próximo álbum, intitulado de "Educação Sentimental", lançado em 1985. A banda resolveu sair um pouco da musicalidade pop oitentista, que havia levado os mesmos a uma posição de destaque, para misturar outros estilos como o Jazz refinado ou o R&B em suas canções mas, sem abandonar o caraterístico romantismo das suas letras. É desse álbum que iremos falar hoje.




 O título do álbum foi retirado do livro "L'Éducation sentimentale" do escritor francês Flaubert de 1869. O livro em questão, narra a história de um rapaz chamado Frédéric Moreau e suas experiências frutas de uma paixão por uma mulher mais velha que ele. O mesmo acontece com o Kid Abelha! A banda saiu de "Seu Espião", que falava de relacionamentos de um ponto de vista um tanto quanto adolescente, e vai para o "Educação Sentimental" com letras que abordavam o mundo jovem-adulto, indo de temas como liberdade, a saída da casa dos pais até os amores maduros.



A musicalidade segue tendo resquícios do Pop Rock do álbum anterior mas, o grupo ainda arrisca gêneros românticos como o R&B e o Jazz em faixas como "Garotos", além de ir para ritmos como o Reggae com pitadas de pop na faixa-título "Educação Sentimental", composta por Leoni, Paula Toller e Herbert Vianna (vocalista e guitarrista do "Paralamas do Sucesso"). A inclusão de gêneros como o Jazz no álbum de uma banda supostamente pop prova a maturidade musical que o grupo estava naquele momento.



Como já dito no contexto, as letras abordam temas pouco usuais para músicas direcionadas para as massas, como liberdade, trabalho, autossuficiência, amizades, rotina e entre outros temas que englobam o universo jovem-adulto. Além de tratar de relacionamentos de uma forma bastante madura, em contraste ao disco anterior.



Minha música predileta deste disco é "Lágrimas e Chuva", o grande clássico da carreira do Kid, que abre o disco. Gosto muito da levada de baixo com a mistura do saxofone do George Israel. Uma música pop bem feita e elegante comparado aos nossos padrões atuais de música pop.




Na época de seu lançamento, este álbum levou criticas bastante negativas de grandes jornalistas musicais, que consideraram o álbum como "descartável, ou somente mais do mesmo". O tempo provou que isso não era verdade. O álbum continua sendo um clássico de seu tempo e também a prova de que a música pop pode ser feita de uma maneira elegante e madura sem perder o seu charme. Para mim, o melhor álbum do Kid Abelha. 

Minha nota fica: ⭐⭐⭐⭐⭐