sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Revisitando o Led Zeppelin II, o álbum de "heavy-metal" do Led Zeppelin.
quinta-feira, 15 de abril de 2021
A injusta trajetória do Oasis na terra do Tio Sam.
"Because maybeeeeeeeeeee" - provavelmente isto é o que se passa por vossa mente ao escutar o nome de uma das bandas mais icônicas para o Reino Unido dos anos 90 - uma das mais aclamadas dos anos 90?! Por essa musiquinha?!. A história é a mais manjada impossível: um conjunto muito bom e talentoso que possui ótimas canções, mas que é renegado a ser lembrado como um desprezível "one hit wonder" no resto do mundo por não ter tido nada mais que um único sucesso nas paradas da Billboard. Este tipo de destino trágico é mais comum do que parece, principalmente em bandas que são consideradas tipicamente inglesas, como The Kinks, que só explodiram nos EUA com "You Really Got Me" em 1964, e os contemporâneos ao Oasis, Blur, que... woo-hoo!
É bem injusto que várias bandas e artistas maravilhosos e inovadores caiam neste tipo de cilada, mas é inevitável, uma vez que os Estados Unidos, controlam tudo o que o resto do mundo vê, lê, assiste e consome com os olhos e ouvidos de maneira geral desde muito tempo. Mas voltando ao Oasis, eles parecem nunca terem se preocupado em manter e preservar uma imagem, no mínimo, abrangente ou amigável ao público norte-americano, que sempre pegou pilha por certas declarações sarcásticas e cínicas dos irmãos Gallagher a respeito do país, como a que Liam disparou a respeito da sua primeira turnê na terra do Tio Sam: "os americanos querem pessoas sujas, esfaqueando-os no palco. Eles veem caras limpos como nós, usando desodorantes, eles não entendem". Se já não bastasse o senso de humor tipicamente inglês, a banda também tinha um som tipicamente... advinha? inglês que mesmo tendo certo peso nas guitarras ainda dialogava muito bem com a cena pop da Inglaterra noventista (o famoso Britpop, que viria a se consolidar como um amontoado de gêneros, não apenas o rock, na verdade), algo que causava um brutal contraste com a barulheira ruidosa das bandas grunge (principal vertente do rock americano à época, metade dos anos 90) aclamadas pela galera do jeans rasgado por lá.
Pois bem, voltando ao país da Rainha... a banda formada pelos Irmãos Gallagher no início dos anos 90 fez sua estreia triunfal com o single "Supersonic", que já de cara conseguiu a posição 31 nas paradas inglesas, o que já prescindia o impacto que seu debutante, o arrasa-quarteirões "Definately Maybe" de 1994, iria causar nos anos seguintes. Os caras se transformaram em astros da noite pro dia, uma digna história de Rags to Riches do rock n' roll. De repente, toda a juventude inglesa cantava os sucessos rasgantes de "Cigarettes and Alcohol" (que lembra bastante T-Rex...), "Live Forever", "Shakermaker" e "Whatever" (não inclusa no primeiro álbum, mas lançada como single no mesmo ano). Sim, caros leitores, eles emplacaram mais de 3 hits em um curto espaço de tempo até o lançamento de "Some Might Say" (outro primeiro lugar), o single que enganchava o segundo álbum "(What's the Story) Morning Glory?" de 1995.
E então, o sucesso do conjunto no Reino Unido era avassalador, eles estavam nas capas de jornais por lá, no rádio, nas televisões, nos tabloides (um veículo que a banda meio que pulverizou), tudo isso graças, obviamente, às músicas do segundo álbum, que incluam os clássicos "Don't Look Back in Anger", "Roll With It", "Some Might Say", "Morning Glory", "Champagne Supernova", e é claro, "Wonderwall"; mas também à atitude dos Irmãos, com suas declarações polêmicas, postura e devassidão típica do rock n' roll estampada e pública para todo o país por todos os meios de comunicação possíveis.
A banda viveu os seus dias de ouro no meio dos anos 90, muitos afirmam que o ápice, o topo de toda essa pilha de ouro foi o festival de Knebworth em 1996, em que a banda reuniu uma plateia de mais de 100 mil pessoas (125 mil, mais detalhadamente), a maior multidão do evento até os dias de hoje! Nada mal para um "one hit-wonder", não?
Obviamente, o Oasis não iria viver de glórias para sempre. Como já dizia um grande poeta: "All things must pass", e a banda chegou ao fim em 2007, após as incontáveis brigas homéricas dos dois irmãos que fundaram a banda. Mas entre esse tempo, o grupo lançou discos memoráveis e que ainda fizeram sucesso no Reino Unido, como o "Be Here Now", de 1997, "Standing on the Shoulder of the Giants", de 2000, entre outros singles também.
Ademais, o Oasis continua sendo um dos grupos mais bem vendidos do Reino Unido e do mundo (com 50 milhões) com o disco mais vendido da década de 90 no país, e segue sendo celebrada por seus discos que se tornaram o clássico de uma geração de jovens e que só é negligenciada a um mísero "one-hit wonder" por pessoas que não entendem nada de música e, muito menos, da banda em si.
segunda-feira, 12 de abril de 2021
5 discos ESSENCIAIS para compreender o BRock dos Anos 80 | Lista
Antes de começar a matéria, gostaria de freezar que, esta lista não está em uma ordem específica de importância. Como o próprio título diz, é apenas para compreender o movimento de Rock Brasileiro que ocorreu nos anos 80, mostrando as facetas que rondam o espectro da época com uma dose de acidez crítica em cima dos discos.
Este disco nos traz a faceta da New Wave alegre do The B-52s, também incorporada pelos paulistas da Gang 90 e as Absurdettes, e acima de qualquer crítica, um disco importantíssimo do movimento.
04 - O passo do Lui: Os Paralamas do Sucesso (1984)
Como esquecer dessa, na época, ainda cópia tupiniquim de The Police? Por mais que não seja um disco excepcional, não apresenta muita inovação no som da banda desde o primeiro disco "Cinema Mudo" de 1983, possui clássicos inegáveis que emulavam o Two Tone, Reggae e Ska que vivia seu revival no Reino Unido que ainda hoje abalam qualquer festinha de garagem como "Óculos", "Fui Eu", "Ska", "Meu Erro", "Romance Ideal", "Me Liga" e a parceria com o Lulu Santos "Assaltaram a Gramática". O disco representou mais uma vez que o Rock poderia ser sim comercializado aqui no Brasil e foi com ele que o grupo brasiliense se destacou indo a frente do movimento de Rock Brasileiro dos Anos 80, até 86, quando perdeu o lugar para a Legião Urbana (ainda vamos chegar lá).
03 - Maior Abandonado: Barão Vermelho (1984)

02 - Jesus não tem dentes no país dos banguelas: Titãs (1987)
Os Titãs é a banda que representa o Punk Rock na lista. O gênero foi muito difundido principalmente entre as bandas, também de São Paulo, como é o caso dos próprios Titãs. O grupo gigantesco formado por mais de 5 pessoas chegou ao sucesso comercial muito cedo, ainda em 1984 eles haviam estourado o hit "Sonífera Ilha", que como o próprio nome diz também dá sono de tão monótona que a música é. Mas, só chegou realmente a ter um álbum inteiro sendo escutado por todo o país com o "Cabeça" de 86.
Falando do álbum título deste tópico, ele possui alguns hits nacionais e que até hoje são lembrados, tanto nos rádios e Spotify dos fãs de mais de 5o anos da banda quanto pelos mais jovens em protestos ou faculdades. A música "Comida", que possui uma bateria eletrônica e uma linha de baixo que dita praticamente toda a canção foi largamente utilizada em protestos nos anos 80 por sua letra concreta que apenas clama pelo básico para a população. Além dessa papagaiada eletrônica, também temos porradas como "Lugar Nenhum", "Desordem", cuja a letra continua muito atual, infelizmente.
01 - Legião Urbana - Dois (1986)
domingo, 11 de abril de 2021
Sobre a estrada surreal percorrida por Bob Dylan em Highway 61 Revisited...
Poucos álbuns representaram o espírito de uma geração como "Highway 61 Revisited" da lenda norte-americana Bob Dylan. Além de ser uma das conceituações mais fidedignas ao que borbulhava no cenário político e social dos anos 60, o disco também se destaca na história da música pop por suas letras cobertas de referências à poesia surreal de Rimbaud, pós-modernismo, canções de blues, e cultura beat emergente naqueles tempos.
Aliás, o disco que inicia com o hino, o clássico incontestável de todos os tempos "Like A Rolling Stone" não poderia ser considerado nada menos do que imortal, não é verdade? Além do mais, este é o disco que carrega alguns dos grandes clássicos da carreira de Dylan e também finalizou o processo de eletrização total deste, que mesmo já tendo dado alguns sinais no disco anterior "Bringing It All Back Home" do mesmo ano, ainda não tinha se finalizado por completo. Esta inserção das guitarras elétricas no, até então, Rei da Música Folk, agradou muitos, assim como desagradou outros, mas, ao menos, nos rendeu deleites sonoros como o também inigualável "Blonde On Blonde", de 1966 (outro maravilhoso disco que merece uma resenha).
"Highway 61 Revisited" é um daqueles álbuns que você ouve sem interrupções. As letras certeiras e, as vezes, viajadas, a voz arenosa de Bob, as guitarras rasgantes de Bloomfield e os órgãos incendiários de Al Kooper te mantém vidrado e incitado a explorar o universo que cada faixa tem a lhe oferecer, desde a primeira até a última.
Aqui, destaco o que eu considero alguns dos melhores momentos do álbum: "Tombstone Blues", com uma letra surreal e urgente, característica bastante evidenciada em seu arranjo; "It Takes a Lot To Laugh, It Takes a Train To Cry", um dos meus blues rock prediletos escritos por Dylan e que, até os dias atuais, levanta questionamentos a respeito do real significado de sua letra (como toda música do artista em questão), com teorias de fãs que transitam entre a literalidade pífia e o subjetivismo extremo que nos faz refletir se até o simples ato de andar de trem, citado no início da canção, é, de fato, uma simples viagem ou algo a mais; "Ballad of a Thin Man", uma música pairada por uma névoa sombria intensificada pelas notas do órgão elétrico de Kooper, a letra é uma crítica ácida aos jornalistas engomadinhos e quadrados que vinham se aventurar e julgar o incompreensível mundo dos revolucionários cabeludos, que nutriam uma relação de desprezo mútuo; "Just Like Tom Thumb's Blues", mais uma música influenciada pelo blues e que narra de maneira bem humorada as aventuras de Bob em Juarez, México, indo desde mulheres famintas até drogas e autoridades policiais; tudo isso para o ouvinte desaguar em "Desolation Row", uma das mais aclamadas (e longas) canções do icônico letrista, que carrega em si um aspecto modernista e surreal, quase que plástico característico desta fase.
Enfim, faltou citar algumas canções, como a sensacional "From a Buick 6" ou a faixa-título, mas daria um texto muito longo, e como aqui o objetivo é apenas homenagear o álbum, acredito que falei até demais. Com isso, concluímos que "Highway 61 Revisited" é uma obra-prima que relata de forma magistral o que rolava em seu tempo e que deve ser ouvida até os dias atuais.
sexta-feira, 26 de junho de 2020
Afinal, onde fica "A casa do sol nascente" de Nova Orleans?
segunda-feira, 1 de junho de 2020
Os Dândis do Rio Grande do Sul.

Antes de realmente falar do álbum, vou falar um pouco do contexto que este álbum veio ao mundo. Era 1986, quando os Engenheiros fazem sua estréia solo, pois, a banda já havia participado em 85' de uma coletânea de iniciantes grupos de rock que emergiam no RS, a Rock Grande do Sul, onde não só apenas os estudantes de Arquitetura estrearam mas, também Os Replicantes, TNT, Garotos de Rua e DeFalla, bandas essenciais para o Rock Gaúcho da época. O disco de estreia "Longe Demais das Capitais" (1986) até que foi bem para uma banda que estava bem longe das capitais e polos urbanos que produziam os artistas do momento (O Sudeste, em geral) e estava apenas começando. Eu, particularmente, amo este primeiro disco da banda, tanto que, algumas de minhas faixas prediletas deles está neste disco como: "Crônica" (que acho uma letra genial e ainda muito atual), "Toda Forma de Poder" (não preciso comentar nada, só um magnífico clássico), "Sopa de Letrinhas", "Todo Mundo é uma Ilha" e por aí vai. Ouso dizer até que este álbum é um dos que mais retratam o período em que foi escrito, com citações à Guerra Fria, a polaridade entre poderes (Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada) e um pouco do cotidiano e personalidade do jovem da época, vide "Todo Mundo é uma Ilha" ou "Eu ligo pra você". Pois bem, a primeira música do álbum virou até tema de novela global, "Hipertensão", do mesmo ano. Apesar de todo esse sucesso, por conta de divergências com a banda, Marcelo Pitz, o baixista do disco sai e Humberto fica mais a vontade para tomar o baixo para si, se concentrar cada vez mais nas letras e chamar o guitarrista Augusto Licks, que já era mais velho que a banda, para assumir a guitarra.
Por conta dessa mudança na banda, o segundo disco chegou com uma sonoridade bem menos pesada que o primeiro, apostando cada vez mais em linhas de baixo pegajosas (no bom sentido) e uma carga lírica cada vez mais intensa. Por isso, o disco tem uma sonoridade bastante Pós-Punk, me lembrando muito Joy Division, começo do New Order, Gang of Four, PIL e toda aquela ruma de bandas inglesas que vieram do início e meio dos anos 80. O disco já abre com um grande clássico: "A Revolta dos Dândis I", que nos apresenta diversas dualidades e referências ao livro de Albert Camus, "O Estrangeiro". Aliás, Camus foi muito importante para essa obra, pois, foi um dos capítulos de seu livro que deu nome ao álbum. Em seguida temos a "power-ballad" (sim, entre aspas) "Terra de Gigantes", uma das minhas prediletas, que, de acordo com o próprio Humberto, brinca um pouco com o pensamento punk vigente em várias bandas da época, de ser, supostamente, "contra o sistema" sendo parte e contribuindo para o mesmo. Seguindo possuímos o inesquecível clássico "Infinita Highway", a favorita do público que é, uma das minhas menos prediletas do álbum como um todo (perdão Humberto). Com isso, possuímos ainda a melancolia de "Refrão de Bolero", com a rima mais 'sacana' que já ouvi em toda minha vida mas, muito boa a canção, uma das melhores da obra; ainda nessa linha, possuímos choques de realidade como "Além dos Out-Doors" e "Filmes de Guerra, Canções de Amor", que CONTINUAM SENDO ATUAIS, felizmente ou infelizmente. E para finalizar nesta análise mais aprofundada das faixas, a minha favorita: "Vozes", uma das que eu mais me identificava e gostava quando era adolescente! A letra de "Vozes" é de uma profundidade e sinceridade que eu nunca tinha ouvido em quase nenhuma banda brasileira até o momento, uma verdadeira obra de arte da música brasileira. Obviamente, temos outras músicas ótimas como "Guardas da Fronteira", "Quem tem pressa não se interessa" (EM ANDAR RÁPIDO DEMAAAAIS) e "Desde Aquele Dia".
Mas, enfim! Um álbum incrível que continua sendo necessário e relevante na nossa realidade atual. Principalmente, entre pessoas que nem eu que, continuam se sentindo estrangeiros e passageiros de algum trem que não passa por aqui e não passa de ilusão...
BÔNUS: encontrei na Internet esta pérola que eu mesmo não havia ouvido até então, as demos do álbum "A Revolta dos Dândis"! E de quebra, ainda vou colocar aqui a demo do "Longe Demais das Capitais" que eu já conhecia desde os meus 11 anos! Esses links são do YouTube, aproveitem!
Demos do Revolta: https://www.youtube.com/watch?v=1m-fJIRct3E
Demos do Longe Demais das Capitais: https://www.youtube.com/watch?v=qOvbB6cVsw4





