Confesso que escrevo este artigo por conta da minha paixão inabalável pela banda Engenheiros do Hawaii, um dos meus primeiros contatos com o Rock Gaúcho que enfervecia nos anos 80 e continua tendo uma cena que perdura até os dias atuais. Me lembro bem das primeiras vezes em que ouvi as letras do Humberto Gessinger, o baixista e letrista da banda. Me lembro como pensei que as letras eram muito bem trabalhadas e guardavam de sentidos que, na época, eu sendo apenas uma criança não consiga compreender muito bem. Mas, quando comecei a crescer, comecei a me identificar cada vez mais com o grupo e, consequentemente, minha admiração pela banda aumentou cada vez mais até chegar ao ponto de, atualmente, eu considerar a minha banda brasileira predileta, disputando de maneira acirrada com Legião e Barão. Mas, essa introdução sentimentaloide era somente para conduzir para eu falar, em um papo mais livre, sobre meu álbum predileto dos Engenheiros: A revolta dos dândis (1987).
Antes de realmente falar do álbum, vou falar um pouco do contexto que este álbum veio ao mundo. Era 1986, quando os Engenheiros fazem sua estréia solo, pois, a banda já havia participado em 85' de uma coletânea de iniciantes grupos de rock que emergiam no RS, a Rock Grande do Sul, onde não só apenas os estudantes de Arquitetura estrearam mas, também Os Replicantes, TNT, Garotos de Rua e DeFalla, bandas essenciais para o Rock Gaúcho da época. O disco de estreia "Longe Demais das Capitais" (1986) até que foi bem para uma banda que estava bem longe das capitais e polos urbanos que produziam os artistas do momento (O Sudeste, em geral) e estava apenas começando. Eu, particularmente, amo este primeiro disco da banda, tanto que, algumas de minhas faixas prediletas deles está neste disco como: "Crônica" (que acho uma letra genial e ainda muito atual), "Toda Forma de Poder" (não preciso comentar nada, só um magnífico clássico), "Sopa de Letrinhas", "Todo Mundo é uma Ilha" e por aí vai. Ouso dizer até que este álbum é um dos que mais retratam o período em que foi escrito, com citações à Guerra Fria, a polaridade entre poderes (Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada) e um pouco do cotidiano e personalidade do jovem da época, vide "Todo Mundo é uma Ilha" ou "Eu ligo pra você". Pois bem, a primeira música do álbum virou até tema de novela global, "Hipertensão", do mesmo ano. Apesar de todo esse sucesso, por conta de divergências com a banda, Marcelo Pitz, o baixista do disco sai e Humberto fica mais a vontade para tomar o baixo para si, se concentrar cada vez mais nas letras e chamar o guitarrista Augusto Licks, que já era mais velho que a banda, para assumir a guitarra.
Por conta dessa mudança na banda, o segundo disco chegou com uma sonoridade bem menos pesada que o primeiro, apostando cada vez mais em linhas de baixo pegajosas (no bom sentido) e uma carga lírica cada vez mais intensa. Por isso, o disco tem uma sonoridade bastante Pós-Punk, me lembrando muito Joy Division, começo do New Order, Gang of Four, PIL e toda aquela ruma de bandas inglesas que vieram do início e meio dos anos 80. O disco já abre com um grande clássico: "A Revolta dos Dândis I", que nos apresenta diversas dualidades e referências ao livro de Albert Camus, "O Estrangeiro". Aliás, Camus foi muito importante para essa obra, pois, foi um dos capítulos de seu livro que deu nome ao álbum. Em seguida temos a "power-ballad" (sim, entre aspas) "Terra de Gigantes", uma das minhas prediletas, que, de acordo com o próprio Humberto, brinca um pouco com o pensamento punk vigente em várias bandas da época, de ser, supostamente, "contra o sistema" sendo parte e contribuindo para o mesmo. Seguindo possuímos o inesquecível clássico "Infinita Highway", a favorita do público que é, uma das minhas menos prediletas do álbum como um todo (perdão Humberto). Com isso, possuímos ainda a melancolia de "Refrão de Bolero", com a rima mais 'sacana' que já ouvi em toda minha vida mas, muito boa a canção, uma das melhores da obra; ainda nessa linha, possuímos choques de realidade como "Além dos Out-Doors" e "Filmes de Guerra, Canções de Amor", que CONTINUAM SENDO ATUAIS, felizmente ou infelizmente. E para finalizar nesta análise mais aprofundada das faixas, a minha favorita: "Vozes", uma das que eu mais me identificava e gostava quando era adolescente! A letra de "Vozes" é de uma profundidade e sinceridade que eu nunca tinha ouvido em quase nenhuma banda brasileira até o momento, uma verdadeira obra de arte da música brasileira. Obviamente, temos outras músicas ótimas como "Guardas da Fronteira", "Quem tem pressa não se interessa" (EM ANDAR RÁPIDO DEMAAAAIS) e "Desde Aquele Dia".
Mas, enfim! Um álbum incrível que continua sendo necessário e relevante na nossa realidade atual. Principalmente, entre pessoas que nem eu que, continuam se sentindo estrangeiros e passageiros de algum trem que não passa por aqui e não passa de ilusão...
BÔNUS: encontrei na Internet esta pérola que eu mesmo não havia ouvido até então, as demos do álbum "A Revolta dos Dândis"! E de quebra, ainda vou colocar aqui a demo do "Longe Demais das Capitais" que eu já conhecia desde os meus 11 anos! Esses links são do YouTube, aproveitem!
Demos do Revolta: https://www.youtube.com/watch?v=1m-fJIRct3E
Demos do Longe Demais das Capitais: https://www.youtube.com/watch?v=qOvbB6cVsw4

Antes de realmente falar do álbum, vou falar um pouco do contexto que este álbum veio ao mundo. Era 1986, quando os Engenheiros fazem sua estréia solo, pois, a banda já havia participado em 85' de uma coletânea de iniciantes grupos de rock que emergiam no RS, a Rock Grande do Sul, onde não só apenas os estudantes de Arquitetura estrearam mas, também Os Replicantes, TNT, Garotos de Rua e DeFalla, bandas essenciais para o Rock Gaúcho da época. O disco de estreia "Longe Demais das Capitais" (1986) até que foi bem para uma banda que estava bem longe das capitais e polos urbanos que produziam os artistas do momento (O Sudeste, em geral) e estava apenas começando. Eu, particularmente, amo este primeiro disco da banda, tanto que, algumas de minhas faixas prediletas deles está neste disco como: "Crônica" (que acho uma letra genial e ainda muito atual), "Toda Forma de Poder" (não preciso comentar nada, só um magnífico clássico), "Sopa de Letrinhas", "Todo Mundo é uma Ilha" e por aí vai. Ouso dizer até que este álbum é um dos que mais retratam o período em que foi escrito, com citações à Guerra Fria, a polaridade entre poderes (Fidel e Pinochet tiram sarro de você que não faz nada) e um pouco do cotidiano e personalidade do jovem da época, vide "Todo Mundo é uma Ilha" ou "Eu ligo pra você". Pois bem, a primeira música do álbum virou até tema de novela global, "Hipertensão", do mesmo ano. Apesar de todo esse sucesso, por conta de divergências com a banda, Marcelo Pitz, o baixista do disco sai e Humberto fica mais a vontade para tomar o baixo para si, se concentrar cada vez mais nas letras e chamar o guitarrista Augusto Licks, que já era mais velho que a banda, para assumir a guitarra.
Por conta dessa mudança na banda, o segundo disco chegou com uma sonoridade bem menos pesada que o primeiro, apostando cada vez mais em linhas de baixo pegajosas (no bom sentido) e uma carga lírica cada vez mais intensa. Por isso, o disco tem uma sonoridade bastante Pós-Punk, me lembrando muito Joy Division, começo do New Order, Gang of Four, PIL e toda aquela ruma de bandas inglesas que vieram do início e meio dos anos 80. O disco já abre com um grande clássico: "A Revolta dos Dândis I", que nos apresenta diversas dualidades e referências ao livro de Albert Camus, "O Estrangeiro". Aliás, Camus foi muito importante para essa obra, pois, foi um dos capítulos de seu livro que deu nome ao álbum. Em seguida temos a "power-ballad" (sim, entre aspas) "Terra de Gigantes", uma das minhas prediletas, que, de acordo com o próprio Humberto, brinca um pouco com o pensamento punk vigente em várias bandas da época, de ser, supostamente, "contra o sistema" sendo parte e contribuindo para o mesmo. Seguindo possuímos o inesquecível clássico "Infinita Highway", a favorita do público que é, uma das minhas menos prediletas do álbum como um todo (perdão Humberto). Com isso, possuímos ainda a melancolia de "Refrão de Bolero", com a rima mais 'sacana' que já ouvi em toda minha vida mas, muito boa a canção, uma das melhores da obra; ainda nessa linha, possuímos choques de realidade como "Além dos Out-Doors" e "Filmes de Guerra, Canções de Amor", que CONTINUAM SENDO ATUAIS, felizmente ou infelizmente. E para finalizar nesta análise mais aprofundada das faixas, a minha favorita: "Vozes", uma das que eu mais me identificava e gostava quando era adolescente! A letra de "Vozes" é de uma profundidade e sinceridade que eu nunca tinha ouvido em quase nenhuma banda brasileira até o momento, uma verdadeira obra de arte da música brasileira. Obviamente, temos outras músicas ótimas como "Guardas da Fronteira", "Quem tem pressa não se interessa" (EM ANDAR RÁPIDO DEMAAAAIS) e "Desde Aquele Dia".
Mas, enfim! Um álbum incrível que continua sendo necessário e relevante na nossa realidade atual. Principalmente, entre pessoas que nem eu que, continuam se sentindo estrangeiros e passageiros de algum trem que não passa por aqui e não passa de ilusão...
BÔNUS: encontrei na Internet esta pérola que eu mesmo não havia ouvido até então, as demos do álbum "A Revolta dos Dândis"! E de quebra, ainda vou colocar aqui a demo do "Longe Demais das Capitais" que eu já conhecia desde os meus 11 anos! Esses links são do YouTube, aproveitem!
Demos do Revolta: https://www.youtube.com/watch?v=1m-fJIRct3E
Demos do Longe Demais das Capitais: https://www.youtube.com/watch?v=qOvbB6cVsw4
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