sábado, 30 de maio de 2020

A ascenção e queda de Ziggy Stardust completam 48 anos! | Review da Vez

Este ano, dia 16 de junho, vai completar 48 anos que o rock star alienígena mais famoso e reconhecido do mundo, Ziggy Stardust, fez a sua glamorosa estréia na pele de David Bowie no álbum "The Rise and Fall Of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars" de 1972. Para compreender este disco que se tornou um clássico absoluto e relevante, precisamos compreender, não só, o que se passava na cabeça genial e inovadora de Bowie naquele início de década, quanto também o que se passava no mundo, tanto no meio musical, quanto no meio real mesmo... e para isso, vamos viajar para o Reino Unido do século passado...

The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars ...

No ano de 1971, ou seja, um ano antes da gravação e lançamento oficial do álbum de Ziggy, Bowie estava trabalhando em outro álbum que viria a ser um álbum bem elogiado pela crítica da época chamado Hunky Dory, um álbum bem mais puxado ao Art Rock, tendo pouquíssimas referências ao rock n' roll cru que viria em seguida, mas, durante as gravações do mesmo, David já possuía em mente algumas músicas como Moonage Daydream ou Hang on to yourself que fariam parte de seu próximo trabalho. Além disso, o desejo de Bowie por fazer algo diferente, algo mais elétrico e alto, vinha das observações da cena de rock na época, que estava cada vez mais cedendo às novas bandas que produziam o que chamavam, na época, de heavy metal, hard rock, ou seja, uma sonoridade mais distorcida e pesada. Tais bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Cream, Alice Cooper, Jimi Hendrix Experience estavam exercendo uma ampla influência no gênero e eram as "novidades" da época, se podemos chamar assim. Com isso, Ziggy Stardust, um alienígena roqueiro transgressor, sexualmente promíscuo e de natureza selvagem começou a ganhar forma.

O álbum, ao contrário do que muitos pensam, não é uma opera-rock como, por exemplo, o Tommy do The Who; apesar de ele apresentar a história de Ziggy em faixas como a melancólica "Five Years", na qual justifica a motivação para o mesmo descer até aqui, o sucesso radiofônico de "Starman", e a última faixa do álbum, a também melancólica power ballad "Rock N' Roll Suicide", o disco vai além de simplesmente contar uma história contínua; nos dá a impressão de profundidade e intimidade ainda maior sobre a personalidade do alien, em faixas como "Moonage Daydream", "Suffragette City" e a própria "Ziggy Stardust" nos dizem muito mais sobre a personalidade do mesmo do que simplesmente uma história. De maneira geral, o álbum é de hard rock, com alguns momentos épicos, especificamente no início e no final. 

Riffs de guitarra estridentes que incendeiam os ouvientes, letras que falam de paz, amor, sexo, festas e rock n' roll, uma voz esganiçada e exagerada com muito glamour e atitude - assim, podemos definir o álbum de Ziggy Stardust. Um grande clássico que será lembrado, não somente pelas mudanças sociais que provocou (fica para outro post), mas, também por ser profético e afrente de seu tempo em vários momentos. Nem preciso citar a grandiosidade de David Bowie na cultura pop, não? A sexualidade difusa de Ziggy, que se confunde com a da Geração Z, os sons experimentais e até mesmo, influências a curto prazo (vide a onda Glam nos anos 70 e 80, com bandas como T.Rex ou Motley Crue) fazem com este álbum seja lembrado mesmo quase 50 anos de seu lançamento! Viva Ziggy Stardust! Viva David Bowie!