segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Rubber Soul e o amadurecimento dos amantes de Liverpool | Review da Vez

Era metade dos anos 60, o gênero rock n' roll estava se consolidando como gênero mais popular da juventude, ao mesmo tempo em que começou a ganhar cada vez mais força nas paradas norte-americanas, muito influenciado pela impulsão gerada pela grande Invasão Britânica ao país do Tio Sam, com bandas como The AnimalsRolling StonesYardbirdsKinks... e, é claro! The Beatles, o conjunto pop mais efervescente, que havia lançado até o momento 4 álbuns de estúdio (digo... 4 álbuns britânicos). John, Paul, George e Ringo viviam o auge da Beatlemania, milhões de discos vendidos, shows lotados com garotas histéricas, fama quase que mundial, ou seja, nada estava dando errado na vida dos fabulosos de Liverpool, certo? Bem... mais ou menos... Isto já nos dá uma pista ao que veremos em Rubber Soul... (meu álbum predileto dos quatro, só pra dizer mesmo)
Resultado de imagem para rubber soulA continuação do estrondoso sucesso que foi a trilha sonora do filme de mesmo título Help!, do início do mesmo ano, é marcada por músicas mais profundas do que de seus antecessores, tanto musicalmente quanto liricamente (mesmo que de vez em quando se tenha algum hit pop aqui ou ali). Se antes os amantes de Liverpool cantavam Thank you GirlShe Loves You ou qualquer outra música que envolva segurar mãos, agora os mesmos declamavam poemas sobre a vida, refletiam sobre os problemas de relacionamentos em um olhar mais maduro e sombrio, falavam sobre amor de uma maneira espirituosa ou até cantavam sobre dirigir carros (Roger Taylor joined the chat).

Começando pela faixa que abre o disco: Drive my car, que é uma canção divertida, alegre que fala sobre uma mulher que quer se tornar famosa e com isso fala com o seu chofer para dirigir seu carro...? Bem, até hoje não consegui detectar muito bem sobre o que esta música fala especificamente, mas, alguns conspiram dizendo que a faixa fala sobre uma gíria sexual (dirigir o carro), se é que vocês me entendem. Seguindo, temos a maravilhosa Norwegian Wood (This Bird Has Flown) que foi a primeira música dos Beatles a utilizar uma cítara, instrumento que virou moda nas bandas inglesas dos anos 60 por conta do Fab Four. A letra desta música é bastante enigmática, mas o que podemos dizer mesmo é que trata-se de um caso extraconjugal que John Lennon teve entre 1964 e 1965. Continuamos com You Won't See Me, que assim como I'm Looking Through You, fala sobre o relacionamento de Paul com sua então namorada Jane Asher, na época, começando sua carreira de atriz. Em seguida temos Nowhere Man, uma das faixas mais inspiradas e filosóficas de Lennon, que fala sobre um homem de lugar nenhum. Dando sequência, temos Think for Yourself de Harrison que já previa muito do movimento anti-guerra que viria no final dos anos 60 e inicio dos anos 70 (pense por você mesmo), The Word, ditou o movimento paz e amor dos hippies sessentistas, Michelle, canção de amor com trechos em francês de Paul, What Goes On, um rockabilly feito especialmente para Ringo cantar, Girl, música poética escrita por John que fala sobre uma garota mística que o mesmo sonhava que aparecesse a ele, In My Life, minha faixa predileta do álbum ou até dos Beatles que narra um poema de Lennon sobre sua própria vida, desde seu crescimento em Liverpool até as pessoas que amou e ama, Wait, faixa que foi originalmente escrita para ser lançada no Help! que fala sobre a ansiedade de voltar para sua amada (bonito, não?), If I Needed Someone, mais uma música do George que fala sobre sua então esposa Pattie Boyd, a música foi bem influenciada do primeiro dos Byrds. E para fechar o disco, Run For Your Life, uma música que nasceu de uma linha da música Baby Let's Play House de Elvis Presley e que ainda hoje causa polêmica por conta de sua letra, vista por muitos hoje como machista, coisa que até o próprio John foi confirmar anos depois.

O álbum é um espetáculo do começo ao fim, ou seja, aquele tipo de disco que você ouve de cabo a rabo, sem parar. O mesmo indicou uma grande evolução nas letras e melodias que os quatro rapazes vinham fazendo até então, evolução essa que iria ser ainda mais trabalhada em discos como Revolver, Sgt. Peppers entre outros. Letras marcantes e melodias cativantes e experimentais, são o que mais define Rubber Soul, um grande clássico que entrou para história.

Nota: 
⭐⭐⭐⭐

P.S.: Resolvi postar este review hoje por conta de que: é um insulto, eu como um fã incondicional dos quatro cabeludos de Liverpool, não ter escrito, um artigo sequer sobre os mesmos neste blog por todos estes anos. E agora aqui está.